Pequim adverte que China não se curvará às "chantagens" dos EUA

Lusa08h33 — 05 Julho 2018

A um dia de entrar em vigor as novas taxas alfandegárias impostas pelo presidente Donald Trump, chineses advertem que os Estados Unidos podem estar a abrir fogo contra si próprios na "guerra comercial"

A China criticou nesta quinta-feira as "ameaças e chantagens" de Washington, na véspera da entrada em vigor nos Estados Unidos de taxas alfandegárias sobre vários produtos chineses, que podem marcar o início de uma guerra comercial.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou taxas alfandegárias de 25% sobre um total de 34.000 milhões de dólares (29 mil milhões de euros) de importações oriundas da China, a partir de sexta-feira, numa retaliação contra o alegado roubo de tecnologia por parte do país asiático.

China não "se curvará" às chantagens

Pequim ameaçou retaliar ao aumentar as taxas alfandegárias sobre vários produtos norte-americanos, mas o porta-voz do ministério chinês do Comércio disse que a China vai esperar para ver o que Washington fará.

"A China não se curvará perante ameaças e chantagens, nem será abalada na sua determinação em defender o comércio livre global", afirmou Gao Feng, em conferência de imprensa, ressalvando que "a China nunca disparará o primeiro tiro".

"Mas se os Estados Unidos impuserem taxas, a China será forçada a reagir, na defesa dos interesses fundamentais da nação e do povo", acrescentou.

Estados Unidos irão "abrir fogo" contra si próprios

Gao Feng lembrou que os impostos afetarão também empresas estrangeiras a operar no país asiático, incluindo norte-americanas.

"Cerca de 59% dos produtos sobre os quais serão aplicadas taxas alfandegárias são fabricados por empresas estrangeiras na China, muitas delas norte-americanas", detalhou.

O porta-voz considerou que Washington "está a atacar a cadeia de investimentos em todo o mundo, a abrir fogo contra todos, inclusive si próprio".

Donald Trump ameaçou ainda subir os impostos sobre 450 mil milhões de dólares (quase 385 mil milhões de euros) de bens chineses, ou 90% das importações norte-americanas oriundas da China.

Investidores temem uma guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta, à medida que Pequim ameaça retaliar.

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