Itália fecha a porta a barco com 629 migrantes

Ana Meireles com Lusa19h49 — 10 Junho 2018

Estão 123 menores e sete grávidas a bordo do Aquarius, acompanhados por pessoal dos Médicos Sem Fronteiras.

O ministro do Interior de Itália pediu este domingo a Malta que receba o barco da ONG SOS Mediterrâneo, com 629 migrantes a bordo, que o novo governo italiano não autoriza que desembarquem em Reggio Calabria, no sul do país.

De acordo com a comunicação social italiana, Matteo Salvini enviou uma carta urgente às autoridades maltesas, explicando que o Aquarius, com pessoal dos Médicos Sem Fronteiras, encontra-se a 43 milhas náuticas de Malta (quase 80 quilómetros), pelo que a obrigação de desembarque dos migrantes não pertence aos italianos.

A Guarda Costeira italiana, que coordena as operações de vigilância e resgate no Mediterrâneo central, disse à agência Efe que, no sábado, foram resgatados 629 imigrantes em seis operações, nas quais participaram unidades da ilha de Lampedusa, três navios mercantes e a ONG SOS Mediterrâneo.

Todos os imigrantes - 123 menores não acompanhados e sete grávidas - foram transferidos para o Aquarius, disse a ONG francesa.

O ministro comunicou a posição de Itália quanto ao Aquarius na sequência da recusa de há dias de desembarque de 232 migrantes resgatados por um navio da ONG alemã Sea Watch.

A embarcação chegou ao porto de Reggio Calabria, depois de quatro dias no mar Mediterrâneo, com as mais de duas centenas de migrantes a bordo.

Segundo o diário Malta Today, um porta-voz do Governo maltês disse que o "resgate ocorreu na zona de busca e resgate da Líbia e foi coordenado pelo centro de coordenação de resgate de Roma".

"Malta não é a autoridade coordenadora e não tem competência no caso", assinalou.

Na sexta-feira, Salvini afirmou que a Itália quer que a NATO ajude o país a defender a sua costa sul do fluxo de migrantes. O ministro do Interior, que é também o líder do partido populista de direita Liga, disse ainda que o novo governo vai ser mais duro no controlo de entradas.

Salvini declarou também que a vizinha Malta tem de fazer mais para ajudar a liderar com quem vem de África à procura de asilo na Europa e avisou aos grupos humanitários que resgatam migrantes no mar de que passarão a ser muito mais controlados.

"Estamos sob ataque. Vamos pedir à NATO para que nos defenda. Existem muitas preocupações sobre infiltrações terroristas", declarou Salvini. "A Itália está sob ataque vindo do sul, não do leste", prosseguiu o populista, referindo-se à especial atenção que a NATO tem dado à Rússia.