Esta é a cor mais antiga do mundo

Foi encontrada em pigmentos com 1.1 mil milhões de anos. "É incrível que algo com uma cor biológica possa sobreviver tanto tempo."

Quando Nur Gueneli, estudante de doutoramento da Universidade Nacional Australiana (UNA), descobriu os pigmentos coloridos deu um grito no laboratório. O entusiasmo justifica-se: descobrira as cores biológicas mais antigas do mundo.

Com 1.1 mil milhões de anos, os pigmentos pertenciam a rochas antigas que se encontravam debaixo do deserto do Sara. São cor-de-rosa, mas têm nuances de roxo e vermelho-sangue na sua forma concentrada.

Os pigmentos são moléculas fossilizadas de clorofila produzida por organismos marinhos.

"Imagine que poderia encontrar uma pele de dinossauro fossilizada que ainda tem a mesma cor original, verde ou azul... é exactamente o tipo de descoberta que fizemos", afirmou Jochen Brocks, investigador da ANU, à BBC.

"Isto são verdadeiras moléculas, as mais antigas moléculas coloridas no mundo", disse. "É incrível que algo com uma cor biológica possa sobreviver tanto tempo."

Os pigmentos foram descobertos depois de os investigadores transformarem as rochas em pó e passarem-no por um solvente orgânico, um processo "idêntico ao de uma máquina de café", explicou Brocks.

As rochas foram descobertas por uma empresa de exploração de minas num depósito marinho em Taoudeni Basin, na Mauritânia, África Ocidental, há cerca de dez anos.

A descoberta contribui para a investigação sobre a evolução das formas de vida na Terra. Estes pigmentos foram produzidos por cianobactérias numa fase da história do planeta em que os animais ainda não existiam.

A investigação, que envolveu também cientistas nos Estados Unidos e no Japão, foi publicada na revista científica norte-americana Proceedings of the National Academy of Science.