Fogos na Grécia causam pelo menos 74 mortos

V, com agências07h29 — 24 Julho 2018

É o maior incêndio na Grécia desde a tragédia de agosto de 2007. Governo declarou três dias de luto nacional.

Os fogos que lavram na Grécia, alguns perto da capital, Atenas, fizeram pelo menos 74 mortos e mais de 150 feridos, alguns em estado crítico, segundo o mais recente balanço das autoridades.

Um dos incêndios registou-se na aldeia turística de Mati, a cerca de 27 quilómetros a leste de Atenas, no mar Egeu. Muitas pessoas ficaram encurraladas pelas chamas quando tentavam fugir, segundo conta a Reuters.

O número de mortos aumentou depois da descoberta dos corpos de 26 pessoas que tentavam fugir das chamas. Estavam entre duas casas a cerca de 30 metros da praia, segundo indicou o líder da Cruz Vermelha grega à televisão estatal.

"Tentavam escapar, mas infelizmente estas pessoas e as suas crianças não o fizeram a tempo", acrescentou Nikos Economopoulos, citado pela Reuters.

Já antes, a guarda costeira grega tinha recuperado quatro corpos no mar, a uma curta distância dos incêndios.

As chamas levaram a que muitos turistas e também cidadãos gregos fugissem do fogo para as praias a leste de Atenas.

Uma das vítimas será um bebé de seis meses que morreu devido à inalação de fumo.

Os incêndios devastaram casas, destruíram viaturas e obrigaram a diversas evacuações, com as autoridades a declararem o estado de emergência e a pedirem ajuda europeia.

Trata-se, de acordo com a Reuters, do maior incêndio registado naquele país desde a tragédia de agosto de 2007 na península de Peloponeso, no sul do país, em que morreram dezenas de pessoas.

O pedido formal de ajuda à União Europeia para o envio de meios foi feito ao final da tarde de terça-feira.

"É uma noite difícil para a Grécia", disse o primeiro-ministro Alexis Tsipras que antecipou o seu regresso para Atenas, depois de uma viagem à Bósnia-Herzegovina, para acompanhar a situação a partir do Centro de Coordenação Unificado.

Já o ministro da Administração Interna (Ordem Pública), Nikos Toskas, pediu cautela aos cidadãos e sugeriu que os incêndios podem ter sido provocados.

Centenas de bombeiros continuam a tentar controlar os grandes incêndios que assolam a Grécia desde o início da tarde de segunda-feira, mas os trabalhos estão a ser dificultados por ventos fortes.

Um dos incêndios, a cerca de 50 quilómetros de Atenas, obrigou à evacuação de três localidades, reduzindo a cinzas dezenas de casas e causando o encerramento ao tráfego durante dezassete quilómetros da autoestrada de Olímpia, que liga a capital com o Peloponeso.

Sem registo de portugueses entre as vítimas

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse à Lusa que não há registo de portugueses entre as vítimas ou desaparecidos.

Augusto Santos Silva indicou que o embaixador português em Atenas está "a acompanhar minuto a minuto a evolução dos acontecimentos, tendo natural atenção sobre quaisquer informações disponíveis sobre eventuais casos de portugueses que tenham sido atingidos por esta tragédia".

Segundo o Governo, a comunidade portuguesa residente na Grécia é "em número reduzido" e não está concentrada nas duas regiões da Grande Atenas que estão a ser mais atingidas pelos fogos.

Já quanto aos turistas, mais numerosos nesta altura do ano, o seu destino não costuma ser estas zonas, mas antes o centro de Atenas ou as ilhas gregas, indicou Santos Silva.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG