EUA preparados para oferecer "garantias de segurança" únicas à Coreia do Norte

Lusa13h30 — 11 Junho 2018

Garantias serão dadas "em troca de uma desnuclearização da Coreia do Norte "completa, verificável e irreversível", diz secretário de Estado norte-americano.

Os Estados Unidos estão preparados para propor à Coreia do Norte garantias de segurança sem precedentes na história das negociações nucleares entre os dois países, disse esta segunda-feira o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo.

"Estamos preparados para oferecer garantias de segurança que são diferentes, únicas, em relação ao que os Estados Unidos fizeram no passado", em troca de uma desnuclearização da Coreia do Norte "completa, verificável e irreversível", declarou Pompeo numa conferência de imprensa em Singapura na véspera da histórica cimeira entre Donald Trump e Kim Jong-un.

O secretário de Estado norte-americano não quis dizer se Trump poderá considerar a retirada de tropas dos Estados Unidos da península da Coreia.

Adiantou, no entanto, que as sanções norte-americanas à Coreia do Norte se manterão enquanto não ocorrer a desnuclearização e que "aumentarão" se a diplomacia falhar.

Pompeo considerou, contudo, que a cimeira tem "enorme potencial".

"Estou muito otimista quanto às hipóteses de sucesso" do primeiro encontro entre o Presidente norte-americano e o líder norte-coreano, afirmou.

Segundo o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, as discussões entre Washington e Pyongyang "avançam rapidamente" na véspera da cimeira e Trump falou esta segunda-feira ao telefone com os seus aliados Coreia do Sul e Japão.

"Temos esperanças de que a cimeira crie as condições para futuras conversações produtivas", disse ainda.

A cimeira entre Trump e Kim, na terça-feira em Singapura, é a primeira entre os líderes dos dois países depois de quase 70 anos de confrontos políticos no seguimento da Guerra da Coreia e de 25 anos de tensão sobre o programa nuclear de Pyongyang.

Este encontro histórico ocorre depois de, em 2017, as tensões terem atingido níveis inéditos desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53), face aos sucessivos testes nucleares de Pyongyang e à retórica beligerante de Washington.

A cimeira deve começar às 9h00 de terça-feira (2h00 em Lisboa), no hotel Capella de Singapura, e resulta de uma corrida contra o tempo - com uma frenética atividade diplomática em Washington, Singapura, Pyongyang e na fronteira entre as duas Coreias -, em que houve anúncios, ameaças, cancelamentos e retratações surpreendentes.