Espanha acolhe barco com 600 migrantes

13h51 — 11 Junho 2018

Madrid vai acolher o barco que Itália e Malta não quiseram receber. "É nossa obrigação ajudar a evitar uma catástrofe humanitária".

O Governo espanhol ofereceu às Nações Unidas Valência como "porto seguro" para o barco "Aquarius", que navega com mais de 600 migrantes e refugiados resgatados pelas organizações não-governamentais Médicos Sem Fronteiras e SOS Mediterranée.

A entrada do "Aquarius" em Itália foi impedida pelo novo ministro da Administração Interna, Matteo Salvini. Também Malta recusou o pedido de desembarque.

Os migrantes e refugiados foram resgatados no sábado em seis operações no mar Mediterrâneo.

A demora no desembarque coloca "pacientes vulneráveis em risco", particularmente sete mulheres grávidas, 15 pessoas com queimaduras químicas graves e vários com problemas críticos de afogamento e hipotermia, informaram esta segunda-feira os MSF.

"É nossa obrigação ajudar a evitar uma catástrofe humanitária", diz em comunicado o Governo espanhol. Valência será um "porto seguro", cumprindo as normas do direito internacional, acrescenta.

O presidente da Câmara de Valência, Joan Ribó, defendeu que não pode haver "outra tragédia como a de Aylan", o menino sírio afogado que deu à costa da Turquia e cuja fotografia se tornou um símbolo do drama dos refugiados no Mediterrâneo.

Matteo Salvini reagiu no Twitter, proclamando "vitória" de Itália.

Na sexta-feira, Matteo Salvini afirmou que a Itália quer que a NATO ajude o país a defender a sua costa sul do fluxo de migrantes.

O ministro da Administração Interna, que é também o líder do partido populista de direita Liga, disse ainda que o novo governo vai ser mais duro no controlo de entradas.

Salvini declarou também que a vizinha Malta tem de fazer mais para ajudar a liderar com quem vem de África à procura de asilo na Europa e avisou aos grupos humanitários que resgatam migrantes no mar de que passarão a ser muito mais controlados.

"Estamos sob ataque. Vamos pedir à NATO para que nos defenda. Existem muitas preocupações sobre infiltrações terroristas", declarou Salvini. "A Itália está sob ataque vindo do sul, não do leste", prosseguiu o populista, referindo-se à especial atenção que a NATO tem dado à Rússia.