"Turismo insustentável" ameaça sítios Património Mundial

Ana Isabel Pereira14h22 — 07 Julho 2018

Uma das ameaças que pendem sobre os sítios classificados pela UNESCO como Património Mundial é o turismo de massas, admite a responsável Irina Bokova.

Irina Bokova, ex-diretora-geral da UNESCO e atualmente com a pasta do Património Mundial naquele organismo, admite que o "turismo insustentável" é uma ameaça "à manutenção da classificação de Património Mundial" em muitos locais que hoje ostentam o selo da organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

No Porto para a Climate Change Leadership, onde também esteve Barack Obama, a búlgara falou essencialmente dessa ameaça chamada "alterações climáticas", mas também se mostrou preocupada com o "turismo de massas".

"Hoje vemos muitas ameaças à manutenção da classificação de Património Mundial", disse esta sexta-feira, perante um audiência de cerca de três mil pessoas, no Coliseu do Porto. Enumerou essas ameaças e entre elas contou "o turismo insustentável".

"A UNESCO tem olhado com seriedade para estas ameaças e tem tomado medidas duras", partilhou, para de seguida dar o exemplo de Viena e Machu Picchu, que recentemente foram colocados na lista de sítios Património Mundial em risco.

Sobre as alterações climáticas, assunto que trouxe Bokova à cimeira que lançou o "Porto Protocol", explicou que a proteção de locais em risco "pode ser uma solução para a mitigação" do problema e lembrou que os territórios com a classificação de Património Mundial Natural da Humanidade "cobrem 8% da superfície terrestre". Em todo o caso, as alterações climáticas ameaçam quer o património natural, quer o património cultural, frisou, acrescentando que a UNESCO tem vindo a reunir-se com os gestores dos sítios classificados para discutir a problemática.

Irina Bokova, que em 2016 concorreu contra António Guterres à liderança da ONU, esteve no Porto dois dias depois de uma reunião do Comité do Património Mundial, onde a UNESCO decidiu classificar "mais 19 sítios", e numa altura em que a cidade questiona - e o mesmo acontece em Lisboa - a pressão turística, a consequente pressão imobiliária e o afastamento dos locais do centro histórico e da baixa.