Queiroz, as ondas da Nazaré e uma filha um bocadinho ou muito grávida

Selecionador do Irão falou sobre o VAR na véspera do jogo com Portugal.

O selecionador de futebol do Irão, o português Carlos Queiroz, teceu este domingo palavras de exigência face ao desempenho do videoárbitro (VAR), destacando a necessidade de que terminem as desculpas iguais à sua preexistência.

"O VAR não nasceu para cobrir erros humanos, mas para fazer certo. Não é humano implementar um sistema e vir com as mesmas desculpas de antes. É questão de princípio", insistiu o técnico, na véspera do embate decisivo com Portugal, em Saransk, decisivo para as duas equipas na luta pelo apuramento para os oitavos de final do Mundial.

Sem enumerar situações de claro prejuízo na sua carreira pela existência ou não do VAR, o antigo selecionador de Portugal voltou ao tema, com a certeza de que apenas o faz "para benefício do futebol": "O jogo deve ser claro. Tudo deve ser óbvio."

"É um pouco como a minha filha estar um bocadinho grávida ou muito grávida. O jogo não pode ir nessa direção. As pessoas precisam saber as regras", insistiu.

O técnico assume a defesa da causa, mesmo sabendo que pode padecer com isso: "Todos podemos falar de árbitros, menos os treinadores, quando temos uma importante parte no jogo. Em Portugal, temos as maiores ondas do mundo, na Nazaré, e quando os treinadores falam de árbitros, parece que lhes caem em cima. Se vier uma na minha direção, tentarei nadar e sobreviver."

"Se precisarmos de um esclarecimento sobre segurança ou outro assunto, temos logo uma reunião com os responsáveis. Se queremos e precisamos de uma clarificação de arbitragem, dizem-nos para escrever à FIFA. O jogo pertence ao povo e este deve saber, claramente, as regras", concluiu.

Irão e Portugal encontram-se esta segunda-feira na derradeira jornada do Grupo B. A seleção das quinas precisa apenas de um empate para passar aos oitavos.