Facebook censura nus de Rubens, Flandres responde com vídeo

V19h14 — 24 Julho 2018

"Peitos, nádegas e querubins" são indecentes por natureza?

Imagine que está num museu e um agente da autoridade lhe pergunta se tem conta numa rede social. Responde que sim e o "inspetor de redes sociais" diz-lhe: "Temos que afastá-lo dos quadros com nudez", "temos que o proteger da nudez, mesmo que de natureza artística".

O momento, registado na Rubens House, em Antuérpia, deu um vídeo de protesto contra a censura de obras de Peter Paul Rubens no Facebook.

Os elogios à obra de Rubens são incontáveis e o mundo da arte atribuiu aos seus nus um lugar especial. Mas o Facebook não se deixa impressionar e bloqueia, com frequência, estes quadros do século XVI. As instituições culturais e de turismo da região belga da Flandres sabem-no bem.

Numa carta do gabinete de turismo e dos diretores de museus da Flandres, os signatários dizem que o Facebook rejeita sistematicamente as obras de Rubens.

A "censura cultural" aplicada por aquela rede social até faz rir "secretamente", admitem, mas também dificulta a tarefa de divulgar a obra do mestre. E perguntam se "peitos, nádegas e querubins" são indecentes por natureza.

Os posts removidos incluem um anúncio que mostra a obra de Rubens "A descida da cruz", que retrata Jesus seminu.

"A arte faz ligações, tal como as redes sociais", argumentam os belgas.

Ao "Guardian", o diretor executivo do gabinete de turismo da Flandres, Peter De Wilde, afirma que, "infelizmente", promover a "herança cultural única" da região na "rede social mais popular do mundo é agora impossível".

Segundo o "Guardian", o Facebook aceitou falar com o gabinete de turismo da Flandres.

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