Planeta ou plástico? Capa da "National Geographic" torna-se símbolo

"National Geographic" de junho torna-se símbolo do combate ao uso excessivo de plástico.

A capa da edição de junho da "National Geographic" denuncia o impacto do plástico no ambiente. A revista dedica a edição ao ambiente e pergunta: "Planeta ou plástico?". A capa, do fotógrafo mexicano Jorge Gamboa, mostra um saco de plástico a boiar na água numa analogia a um icebergue.

A divulgação da capa, feita pelo editor de fotografia Vaughn Wallace a 16 de maio, foi já partilhada por mais de 43 mil pessoas e os comentários têm-se multiplicado.

"Fantástica", "incrível", "brilhante" e "impactante" são alguns dos adjetivos usados para os utilizadores das redes sociais se referirem à capa.

A foto de Jorge Gamboa foi premiada em 2017 na Bienal do Poster da Bolívia, na categoria de trabalhos políticos ou sociais.

Mas há também quem alerte para o facto de a ideia que está subjacente à imagem já ter sido usada numa campanha em 2015.

Na campanha "Icebergue", a Tesco terá usado uma simbologia semelhante numa campanha realizada na Eslováquia.

A "National Geographic" cria impacto com esta capa, mas também pretende fazer a diferença, tendo decidido que a publicação deixará de ser distribuída num saco de plástico. A revista lembra que a poluição com que nos deparamos é apenas a ponta do icebergue.

Recentemente, a "National Geographic" encontrou um plástico na zona mais funda do oceano, a Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico, a cerca de 11 quilómetros de profundidade.

Os cientistas e os ambientalistas têm vindo a alertar para a possibilidade de, dentro de algumas décadas, o mar ter mais plástico do que peixe.

Além de afetar os ecossistemas e matar animais, que confundem os microplásticos com alimento, este poluente acaba por chegar aos consumidores através do peixe ou do sal que ingerem.

O plástico deteriora-se resultando em pequenas partículas e pode permanecer na natureza durante um período até 500 anos.

A Sociedade Ponto Verde anunciou ontem que, por hora, os portugueses colocam nos ecopontos embalagens usadas equivalentes ao peso de 12 elefantes. Segundo este organismo, cada 100 toneladas de plástico reciclado evitam a extração de uma tonelada de petróleo.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, advertiu que as mudanças climáticas são a maior ameaça que o mundo enfrenta e pediu mais ambição para as ultrapassar. Alertou que as mudanças climáticas estão a mover-se mais rápido do que as ações para as combater e que, quanto mais danos se causa ao planeta, maior e mais irreversível será o impacto.